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O que podemos saber – Ian McEwan | Ebook e poesia perdida


A principal dúvida de quem considera este livro

“Como a literatura e a arte podem sobreviver — e significar algo — num mundo pós-apocalíptico devastado pelo colapso climático?” Essa é a pergunta central que Ian McEwan nos coloca. E, ironicamente, a resposta dela talvez não esteja no futuro, mas numa noite de 2014, num jantar entre intelectuais, à volta de um poema que ninguém mais vai ler, mas que se torna a obsessão de um homem a cem anos de distância.


Sinopse

O ano é 2119. O mundo que conhecemos desmoronou. O período ficou conhecido como Desarranjo: tsunamis, guerras nucleares e pandemias dizimaram metade da população, os Estados Unidos fragmentaram-se em feudos dominados por senhores da guerra, a Nigéria tornou-se a superpotência global e a Inglaterra — reduzida a um arquipélago de pequenas ilhas — vive na penumbra do que um dia foi.

Neste cenário, Thomas Metcalfe, um professor de literatura na Universidade do South Downs, alimenta uma obsessão que seus contemporâneos consideram incompreensível: encontrar um poema perdido de 2014, intitulado Uma Coroa para Vivien, do lendário poeta inglês Francis Blundy.

O poema foi lido exatamente uma vez — numa noite de aniversário, para um punhado de amigos — escrito à mão em pergaminho e depois simplesmente desapareceu. Nenhum e-mail, nenhuma mensagem instantânea, nenhum arquivo digital daquele século XXI que devorava cada instante com voracidade documental guardou vestígios do texto. Apenas o relato de testemunhas e o eco de um mistério permanecem.

Thomas vasculha diários, redes sociais, registros criptografados daquela “época de abundância, diversidade natural e tolice humana”. Até que uma pista emerge — e com ela, revelações sobre amores entrelaçados e um crime brutal, que abalam as certezas do professor sobre uma história que ele julgava conhecer intimamente.

McEwan desloca então o eixo da narrativa. O professor dá lugar à voz de Vivien, a mulher que inspirou o poema. E o que ela revela — aquilo que nenhum arquivo digital do século XXI poderia ter capturado, o segredo que habita as entrelinhas do que chamamos de verdade — é o verdadeiro coração pulsante do romance.


O que você precisa saber antes de começar a leitura

  • Não é uma ficção científica no sentido tradicional. O próprio McEwan define a obra como “ficção científica sem a ciência”. O futuro distópico é o cenário, mas a busca é filosófica.
  • O livro tem uma estrutura em duas metades que ecoa “Expiação”. O autor repete o truque que o consagrou: um ponto de virada no meio da narrativa que reconfigura tudo o que você leu até ali. Se conhece McEwan, sabe que nada é o que parece.
  • Prepare-se para uma imersão na forma poética da “coroa de sonetos”. Se você não sabe o que é, vai aprender: uma sequência de 15 sonetos onde o último verso de cada um se torna o primeiro do seguinte, culminando num poema final composto pelos primeiros versos de todos os anteriores.
  • Leia os detalhes de projeto gráfico com atenção. O design do livro, incluindo a divisão tipográfica entre as duas partes, carrega significado e ecoa o tema da insularidade — física, temporal e existencial.
  • O romance não é sobre “salvar o planeta”. É sobre o que permanece depois que a salvação já não é mais possível. O que vale a pena carregar quando o mundo que construímos se vai?

Detalhes deste livro que fazem a diferença no segmento

Tradução: assinada por Jorio Dauster, um dos tradutores mais respeitados do país, com vasto trabalho na Companhia das Letras. Isso garante que o rigor técnico da prosa de McEwan — sempre precisa, elegante e cheia de camadas — seja preservado em português.

Capa: criação de Celso Longo, responsável por algumas das mais marcantes capas da literatura brasileira contemporânea. Não é decorativa; ela antecipa visualmente os temas do livro.

Estrutura narrativa bifronte: romance de ideias disfarçado de thriller literário. A primeira metade é narrada por Thomas Metcalfe, no futuro. A segunda metade pertence a outra voz, em 2014. A passagem de uma para a outra exige que você deixe para trás todas as suas suposições.

Três gêneros num só: uma missão + um thriller literário + uma história de amor. A crítica inglesa da Spectator disse que McEwan “entrega prazer na página com a confiabilidade de um relógio suíço caro”.


Por que você deve ler este romance agora?

Porque McEwan está, aos 77 anos, no auge de sua forma — e esta não é uma afirmação leviana. O livro foi selecionado como um dos favoritos de Barack Obama em 2025, consta da longlist da Andrew Carnegie Medal for Excellence in Fiction 2026 e foi considerado pela Blackwell’s como Livro do Ano.

A crítica internacional foi entusiástica: The New Yorker resumiu a obra como “Ian McEwan retrata a Crise Climática como uma História de Adultério”; Kirkus Reviews concedeu crítica estrelada, descrevendo-o como “um tour de force filosoficamente carregado por um dos melhores romancistas vivos em inglês”.

E você deve ler porque não se trata apenas de um bom romance. Trata-se de um romance que nos força a encarar uma pergunta incômoda: o que restará de nós quando tudo o que registramos digitalmente se tornar ruído inacessível? Numa era de hiperdocumentação, McEwan sugere que o que realmente importa — os segredos guardados, os silêncios intencionais — talvez nunca tenha sido registrado.


Resumo da reputação e feedback de leitores

Na imprensa internacional:

  • O jornal The Guardian destacou que “o valor do livro está no que ele está preparado para omitir — nada de novo nisso, mas uma virtude classicamente realista”.
  • O crítico do Spectator classificou o romance como um dos melhores do autor, elogiando como “a inteligência supercarregada confere à ficção o que parece ser autonomia literária”.
  • Gulf Today apontou o segundo ato do livro como um dos melhores momentos da carreira de McEwan, comparável ao ponto de virada de “Expiação”.

Entre leitores brasileiros (primeiras impressões):

  • Blogs literários como o O Coiso afirmam: “McEwan continua a ser um dos meus escritores preferidos e este último livro é mesmo muito bom”.
  • Leitores do Expresso reconhecem a obra como um “policial filosófico” que exige do leitor uma busca intelectual já pouco frequente na literatura contemporânea.
  • Um comentário recorrente nas redes sociais — como no X (antigo Twitter) e no Threads — é a surpresa com a ousadia estrutural do autor: a inversão de perspectiva entre as duas metades do livro surpreendeu até leitores acostumados com McEwan, com muitos afirmando que “o desfecho muda completamente a leitura da primeira parte”.

A tradução de Jorio Dauster também tem sido elogiada em fóruns portugueses, onde leitores comparam a experiência em português com trechos lidos no original inglês, destacando a precisão na transposição do tom seco e elegante de McEwan para o nosso idioma.


Curiosidades sobre este livro

  1. Foi escrito depois que McEwan perdeu um amigo. O autor revelou que a morte de Christopher Hitchens — o célebre polemista e ensaísta — foi uma das sementes emocionais do romance. O que resta de uma pessoa depois que ela se vai?
  2. O poema central não existe — e nunca existirá. McEwan não escreveu o poema “Uma Coroa para Vivien”. Ele preferiu mantê-lo como uma lacuna deliberada, um vazio que o leitor é convidado a preencher com sua própria imaginação. A obra-prima perdida permanece perdida.
  3. O Brasil aparece na narrativa. Uma das poucas referências ao mundo não anglófono no livro é uma menção à COP30, que ocorrerá em Belém em 2025 — sim, o futuro imaginado por McEwan inclui o Brasil como parte da crise climática que ele projeta para o século XXII.
  4. Não é um romance de tese. McEwan recusou-se a escrever “um livro sobre mudança climática” convencional. “A única maneira de escrever sobre mudanças climáticas é não escrever sobre elas”, disse ele à Associated Press. “Colocar no centro personagens bem concebidos e outros temas e deixar a questão climática simplesmente ali, como um fato dado.”
  5. A capa da edição brasileira é diferente de todas as outras. Enquanto as edições internacionais seguem um padrão mais distópico (águas, destroços, isolamento), a capa de Celso Longo optou por uma abordagem mais abstrata e literária — uma escolha que reflete o foco do livro no poder das palavras, não no espetáculo da catástrofe.
  6. É um dos livros mais longos de McEwan. Com 384 páginas na edição brasileira, fica acima da média do autor, que costuma trabalhar com romances mais enxutos (na casa das 250 a 300 páginas). O espaço extra é utilizado para a construção gradual da obsessão de Thomas e para o mergulho no universo de Vivien.
  7. O Brasil recebe o livro antes da Inglaterra. A edição inglesa está prevista apenas para 18 de junho de 2026. A brasileira chega em 12 de maio — mais de um mês antes. Ou seja, leitores brasileiros terão acesso ao romance antes do público do Reino Unido.

Dica prática de leitura

O livro tem duas partes estruturalmente distintas. Não pule a segunda parte. E não leia as duas correndo. A dica é: leia a primeira metade — narrada por Thomas — com a curiosidade de um detetive. Anote suas hipóteses. Quem foi Vivien? O que realmente aconteceu naquela noite de 2014? Qual é o segredo que os arquivos digitais não contêm?

Depois, ao passar para a segunda parte, faça uma pausa de algumas horas. Deixe a primeira metade sedimentar. Quando retomar, esteja preparado para que tudo aquilo em que você acreditava seja questionado. É nesse movimento — da certeza para a dúvida, do arquivo para a memória — que o romance encontra sua força. A capa de Celso Longo, aliás, foi pensada para evocar essa dualidade: olhe para ela com calma antes de começar.


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