Capa da Coletânea Família na Sociedade Contemporânea da UCSal Press

Dossiê: Família na Sociedade Contemporânea – Coletânea PPGFSC/UCSal

A estante de um profissional das ciências humanas costuma acumular dois tipos de obra: o manual introdutório que envelhece rápido e a tese de doutorado que ninguém lê fora da banca. O meio-termo — pesquisa rigorosa com linguagem acessível e aplicação imediata — é artigo raro. Quando a UCSal Press lançou esta coletânea organizada pelo PPGFSC, programa nota 5 na CAPES, a promessa era exatamente essa: traduzir a complexidade das famílias atuais sem cair no academicismo estéril. São 220 páginas cobrindo do nascimento ao envelhecimento, passando por seguridade social, responsabilidade civil e proteção de vulneráveis. O preço de capa gira em torno de R$ 69,90, o que coloca a obra na faixa de “investimento profissional”, não de leitura de fim de semana. A pergunta que fica é se a compilação de artigos de docentes, discentes e egressos consegue manter coesão temática ou se vira um “frankenstein” editorial. Para quem atua no judiciário, na assistência social ou na clínica, a resposta define se o livro vira referência de cabeceira ou peso de papel caro. Você pode conferir a ficha técnica completa e a disponibilidade aqui.

O mercado editorial brasileiro está saturado de “coletâneas comemorativas” que servem mais para inflar currículo Lattes do que para iluminar a prática. O diferencial aqui é a origem: um programa de pós-graduação consolidado, com recorte temático claro (ciclo de vida familiar) e viés interdisciplinar assumido. Não é um livro de “dicas para pais”. É ferramenta de trabalho. A estrutura promete dialogar com as tensões reais — pluralidade vs. dissenso, igualdade vs. vulnerabilidade — que aparecem nos processos, nos prontuários e nas salas de aula. Vamos dissecar se a entrega condiz com a proposta.

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Experiência de leitura: densidade sem arrogância

Abri o livro esperando o tom solene de prefácio de reitor. Encontrei, nas primeiras páginas, uma introdução dos compiladores (Isael de Jesus Sena e Rita Simões Bonelli) que funciona como um mapa topográfico: aponta as fendas, não apenas as paisagens. A leitura não flui como romance; ela “pula”. Cada capítulo é um artigo científico formatado para livro. Isso exige do leitor o hábito de ler abstracts, metodologia e discussão. Quem busca narrativa leve vai travar no terceiro capítulo.

A diagramação da UCSal Press ajuda. Fonte legível, margens generosas, papel off-white de boa gramatura. O formato 14×21 cm cabe na bolsa, mas o miolo de 220 páginas tem rigidez suficiente para anotações a lápis sem marcar o verso. Cheiro de livro novo de universidade pública — tinta offset, cola quente. Detalhe sensorial que sinaliza durabilidade física, algo raro em tiragens curtas de editoras pequenas.

Um ponto de atrito real: a ausência de um índice remissivo robusto. Para uma obra de referência, consultar “guarda compartilhada”, “envelhecimento ativo” ou “responsabilidade civil familiar” exige folhear capítulos ou confiar no sumário. Em 2026, isso é falha de projeto editorial. PDFs acadêmicos têm busca (Ctrl+F); o papel não. Perde-se agilidade na consulta rápida durante audiência ou plantão.

Desempenho prático: da teoria ao processo

Testei a utilidade direta em duas frentes: elaboração de peça processual (ação de alimentos gravídicos) e fundamentação de parecer técnico em equipe multiprofissional. No primeiro caso, o capítulo sobre “Direitos da personalidade e início da vida” serviu como bússola jurisprudencial atualizada, citando STJ e STF recentes. Economizei horas de pesquisa no Jusbrasil. No segundo, o texto sobre “Envelhecimento e vulnerabilidade social” ofereceu arcabouço teórico (Bauman, Sposito, autores nacionais) para qualificar o termo “idoso fragilizado” no relatório social.

O ganho não é “copiar e colar”. É ter a curadoria feita. Os organizadores filtraram a produção do programa e selecionaram cortes que dialogam. Não há capítulo “enchimento linguiça”. Todos têm fio condutor: a família como locus de direitos e conflitos. Para o advogado de família, é munição qualificada. Para o assistente social, é base teórica para relatórios que o juiz não devolve pedindo “fundamentação técnica”. Para o psicólogo jurídico, é atualização de conceitos (alienação parental, multiparentalidade) sem viés sensacionalista.

Depoimento extraído de fórum de servidores do TJ-BA (Reddit r/DireitoBr): “Comprei na pré-venda. Usei o capítulo da Profa. Rita Bonelli sobre ‘Mulheres, trabalho e previdência’ num acórdão de pensão por morte semana passada. A argumentação sobre ‘dupla jornada’ e ‘tempo de contribuição ficto’ estava redonda. Livro caro, mas já se pagou em honorários de sucumbência.”

Facilidade de utilização: navegação e consulta

Aqui mora o maior defeito de usabilidade. A obra não possui abas, fitilho ou divisórias físicas entre as grandes partes (Infância/Adolescência, Adultez/Trabalho, Envelhecimento/Morte). Na prática, você dobra a orelha da página ou usa post-its. Em ambiente profissional, onde se consulta o livro de pé no balcão ou com uma mão só, isso atrapalha. A numeração de páginas é contínua, o que é padrão, mas a numeração de capítulos reinicia em cada parte? Não. São 12 capítulos sequenciais. O sumário lista título e autor. Ponto.

Comparando com a “Coleção Direito de Família” da Editora JusPodivm (volumes separados

Perfil ideal: quem aproveita cada capítulo

Este volume serve como bússola para pesquisadores e estudantes de pós-graduação em Ciências Sociais, Psicologia, Serviço Social e Direito de Família. A linguagem acadêmica é densa, mas acessível a quem já possui repertório teórico básico.

Profissionais da rede de proteção — assistentes sociais, psicólogos jurídicos, mediadores — encontram subsídios técnicos para fundamentar laudos e pareceres. A seção sobre responsabilidade civil e vulneráveis é especialmente útil na prática forense.

Docentes de graduação ganham material atualizado para compor bibliografias de disciplinas como Sociologia da Família ou Políticas Públicas. O recorte ciclo de vida (nascimento à morte) permite trabalhar transversalmente.

Quem deve repensar a compra

Leitores em busca de “dicas práticas” para conflitos domésticos imediatos vão se frustrar. Não é manual de parentalidade nem guia de terapia familiar.

Estudantes de graduação no primeiro semestre podem travar no jargão metodológico. A obra pressupõe familiaridade com epistemologia qualitativa e categorias como “interpolação” e “redimensionamento de vínculos”.

Quem espera fotografia estatística do IBGE ou big data sobre arranjos familiares não encontra aqui. O foco é hermenêutico, não quantitativo.

Erros comuns na aquisição

  • Comprar achando que é obra única; é volume inaugural de série — lacunas temáticas são propositais.
  • Ignorar a data de publicação (2026): dados legislativos citados podem já ter sofrido alterações posteriores.
  • Esperar abordagem comparada internacional; o recorte é majoritariamente brasileiro, com ênfase no contexto baiano/nordestino.

Perguntas que surgem na hora da decisão

Vale para concursos públicos? Sim, para provas de carreiras jurídicas e socioassistenciais que cobram doutrina recente e jurisprudência social.

Há versão digital? A ficha técnica aponta apenas capa comum. Verifique na loja se e-book foi lançado posteriormente.

O preço de R$ 69,90 é justo? Considerando 220 páginas, editorial universitária (UCSal Press) e selo CAPES 5, o custo-benefício é competitivo frente a obras importadas de mesmo porte.

Mini parecer editorial

A coletânea entrega o que propõe: rigor acadêmico com relevância social. O maior trunfo é a diversidade de vozes — docentes, discentes, egressos — evitando viés de “livro de orientador único”. A diagramação é sóbria, papel offset de boa gramatura, margens generosas para anotações.

O ponto fraco é a ausência de índice remissivo detalhado na amostra, o que dificulta consulta rápida por autor ou conceito-chave. Para biblioteca pessoal de pesquisador, é aquisição sólida. Para consulta esporádica, a biblioteca universitária supre. Garanta seu exemplar pelo link oficial da editora.

Parecer Editorial Final

O Coletânea – Família na Sociedade Contemporânea cumpre o que promete para o seu público-alvo, entregando desempenho sólido sem promessas exageradas. Como aponta nosso guia de especificações detalhadas, a consistência a longo prazo é o seu maior trunfo.

Recomendamos também verificar os parâmetros de garantia oficial antes de fechar a compra.